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Jornal do Brasil trecho da critica de Roberto Pereira - Entre o Fio da Ciência e da Arte
...Tudo se encaixa com uma justeza fina em cena: ciência, arte, humor, dança, dissertação, vídeo, trilha sonora...Pela inteligência que se articula neste espetáculo-dissertação, vale a pena assistir ao espaço que ali se inaugura. A dança faz dele matéria prima. E devolve para a ciência noções que poderiam fazer de qualquer astronauta um exímio bailarino.
FIT São José do Rio Preto - trechos da crítica de Igor Galante - Diário da Região 20/07/2006
Isadora.Orb é a própria metáfora do que o fit propõe como conceito (o teatro desconstruido pela influência das mais diferentes formas de expressão).
...a parte do espetáculo em que Andrea Jabor simula um bailado em gravidade zero deverá ser lembrado como um dos momentos mágicos desta edição do festival.
Crítica na íntegra de KIL ABREU - Isadora.Orb, a Metáfora final 24/07/2006 FIT São José do Rio Preto
Uma canção para Isadora
Diga-se logo que o mais estimulante em”Isadora.Orb, a Metáfora final”, é que o trabalho não lança mão às mídias novas apenas para o exibicionismo narcísico das suas funções. Não é exatamente uma peça de teatro, ainda que se construa com teatralidade. Nem tão rigorosamente uma performance, para o que está demais formalizado. É um experimento que acompanha um clichê em voga, mas o salva do rol dos resultados banais em que normalmente ele se encalacra: trata-se de um evento cênico "multimídia", que sampleia elementos do próprio teatro, da dança, das artes plásticas e da música eletrônica.
A montagem (e aqui o termo toma sentido literal) que Andrea Jabor e Rick Seabra trazem do Rio não está preocupada em levantar um edifício ficcional com muitos detalhes. Contenta-se com o relato de um episódio que por si já traz sua própria carga de estranheza: a tentativa de um sujeito em aprovar o projeto de um módulo para experiências artísticas no espaço - o Isadora, homenagem à bailarina que ainda criança se dizia uma lunática.
Malogrado o projeto, o que se vê é uma narrativa-colagem que o comenta. A dupla carioca inventa virtualmente, nesta fantasia plástica - física e sonora -, algumas das possibilidades de ocupação do módulo impossível.
O charme do espetáculo está em usar explicitamente artifícios técnicos, como a projeção de imagens, fazendo-os trabalhar a favor de conteúdos poéticos. Neste capítulo, não há como negar - mesmo os espíritos menos tranquilos quanto ao uso excessivo da tecnologia na feitura de obras de arte - a beleza surpreendente que salta na recomposição imagética dos movimentos físicos, postos na tela como uma uma espécie de coreografia experimental sob a ausência de gravidade.
A esta altura, dado o mote do espetáculo, o que poderia ser exploração vazia do efeito passa a ter graça, porque as cenas agregam a platéia no deleite de um mesmo campo de sentidos. É aqui que o teatro empresta a essa experiência nova o que ele tem de melhor: a capacidade de reunir o humano na direção de um objeto estético que não nos pede necessariamente o mesmo olhar, mas nem por isso deixa de nos reconhecer como coletivo. Contraponto, aliás, a uma bela imagem, altamente simbólica, do espetáculo: a do monumento ao astronauta caído, que dorme sozinho o sono profundo nas noites longas da superfície lunar.
“Isadora.Orb” não chega, claro, a representar sua bem humorada utopia, a "metáfora final". Mas, resgatando-nos da solidão cotidiana e ordinária, nos leva a viver alguns bons momentos de prazer e poesia.
Kil Abreu
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